Quem sobe o Cristina encontra sete pontos de contemplação com imagens pintadas na pedra, um cruzeiro branco e a planície inteira até a fronteira. Dona Jaqueline, dona da fazenda, subiu com tinta e pincel e pintou tudo isso para os netos terem um passeio.
O morro é propriedade particular e ainda não está aberto ao público. Enquanto a trilha é preparada, as subidas acontecem em grupos pequenos, com guia e data marcada. Quem está na lista de espera é avisado primeiro.
Junte a sua turma
Família, amigos, pastoral, escola, empresa: na lista você diz quantos vão com você e quando prefere subir. Grupos fechados têm prioridade na agenda.
Em 1867, no meio da Guerra do Paraguai, uma coluna do Exército brasileiro desceu de Miranda e Nioaque, cruzou o rio Apa bem aqui e tomou o fortim paraguaio de Bella Vista. Semanas depois, sem comida e com a cólera na tropa, começou a retirada que Taunay transformou em um dos livros mais lidos do Brasil. O Morro Cristina e o Margarida eram o horizonte dessa marcha.
Em Miranda, o coronel Carlos de Morais Camisão assume o comando de uma coluna reduzida a cerca de 1.680 homens, castigada por doenças.
A coluna acampa em Nioaque, vila incendiada pelos paraguaios no ano anterior. O fazendeiro José Francisco Lopes, com a família prisioneira no Paraguai, oferece-se como guia e cede gado.
Às 8 da manhã os clarins tocam marcha: a tropa cruza o Apa e ocupa, sem resistência, o forte de Bella Vista — uma estacada de madeira e a vila ao lado. É a única vez que o Brasil pisa em solo paraguaio pelo norte.
Chegada à fazenda Laguna, mais ao sul. Não há gado suficiente. A fome e a cólera decidem o que o comando hesitava em decidir.
Começa a Retirada da Laguna. No entardecer desse primeiro dia, depois de duas léguas e meia sob fogo, a coluna avista o Morro Margarida — o mesmo pico que já tinha visto do forte de Bella Vista — e o toma como baliza de esperança. Seguem 35 dias de marcha, incêndios no campo e a cólera, que leva o próprio Camisão e o guia Lopes.
Do lado brasileiro do Apa nasce o município de Bela Vista, herdeiro do nome e da memória do fortim do outro lado.
“O perfil desse pico é um tanto notável pela sua graciosa regularidade: já o tínhamos avistado uma vez de Bella Vista, e saudamo-lo então como a um amigo.”
Alfredo d'Escragnolle Taunay, sobre o Morro Margarida — A Retirada da Laguna. O Margarida tem 552 m de altitude e é o ponto mais alto do município; o Cristina é o seu vizinho.
BelavistenseO Fogo da Fronteira · Livro I
Para ler mais: Belavistense
A história que você acabou de ler, contada de dentro: o forte, o Apa, a coluna de Camisão, o Morro Margarida servindo de baliza. Belavistense é o primeiro livro da série O Fogo da Fronteira, do Arquivo Vivo da Fronteira, escrito de onde a Retirada da Laguna passou.
Lançamento em preparação. Quem está na lista de espera do morro é avisado também do livro.
As pedras que Dona Jaqueline pintou
Sobre o arenito do morro, Dona Jaqueline pintou com as próprias mãos uma via-sacra a céu aberto: sete pontos de contemplação, do pé do morro ao cume, para que os netos subissem rezando e brincando. Foi ela também quem ergueu o cruzeiro branco no topo. Uma senhora de referência em Bela Vista, desbravadora do morro que leva a fé da família — e agora quer que ele leve a fé da cidade inteira.
A subida é curta e para todo mundo: 600 metros de trilha da borda do pasto ao cume, grau fácil a médio, com trechos de pedra no final. Com as paradas nos sete pontos e o pôr do sol, a visita leva cerca de uma hora e meia.
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
O ícone com os dois anjos e o Menino agarrado à mão da mãe, a mesma imagem que está nas casas de toda a fronteira.
A cruz com raios
No ponto em que a trilha aperta entre as rochas. Raios pintados à mão saem da cruz — é aqui que os romeiros param para rezar.
Sagrado Coração de Jesus
Jesus abençoando, com o coração em chamas no peito, e ao lado a segunda cruz da subida, preta sobre a rocha caiada.
Nossa Senhora em oração
Manto azul cobrindo a pedra inteira, mãos postas e rosas no vestido. A pintura mais delicada da trilha, escondida entre os blocos.
São José e o Menino
Já no alto, a pedra olha para o Margarida. É onde todo mundo senta para a foto com o morro atrás.
O cruzeiro
No cume, a cruz de madeira branca que Dona Jaqueline ergueu sobre a rocha. Dali se vê o Margarida, o gado nos pastos e a planície até o Paraguai.
É esse conjunto — guerra embaixo, fé em cima, paisagem em volta e uma avó que fez tudo com as próprias mãos — que faz do Cristina um atrativo que nenhuma outra cidade da fronteira tem. Ele só precisa de cuidado.
O morro em 3D
Gire com o dedo, aproxime com dois dedos e toque em um ponto para ler o que tem lá. Altitudes do perfil de elevação da subida de 20/09 (base 379 m, cume 439 m); posição dos pontos ao longo da trilha é aproximada, a confirmar com o levantamento em campo.
Toque em um número no morro
Cada ponto mostra a altitude, a foto do lugar, a imagem pintada por Dona Jaqueline e a história da devoção.
Sobrevoo do relevo real, gerado no Strava a partir do track da subida de 20/09/2026 (Natan Moreira). O Cristina é a mancha de mata isolada; a planície em volta é a fazenda.
No dia 20 de setembro, a cidade subiu
Fechamento do Festival Internacional Rio Apa 2026: dezenas de belavistenses dos dois lados da fronteira, com o Corpo de Bombeiros, subiram o Cristina ao entardecer. Bandeira do Brasil, do Paraguai e de Bela Vista no cume. Foi o ensaio do que o morro pode ser todo fim de semana.
Um rio, duas nações, uma só festa — e um só morro.
O terço, o cruzeiro e o Margarida: a romaria já existe.
O ponto de foto que vai correr o Brasil.
Fim de tarde na pedra de São José, olhando para o Paraguai.
No dia 22 de outubro, o padre abençoou a cruz
Ao entardecer, um grupo subiu o Cristina com a Pastoral do Turismo e o Corpo de Bombeiros. No cume, diante da cruz que Dona Jaqueline levantou e com o Morro Margarida ao fundo, o padre falou do caminho de fé como caminho de subida e abençoou a cruz com água, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
O vídeo completo, com as falas inteiras (11 min 56 s), em quatro partes que seguem uma atrás da outra:
“O caminho de fé é sempre de subida: a busca do alto, as coisas do alto, a busca do Senhor. E no fim do caminho nós encontramos justamente a cruz, que é o sinal da esperança.”O padre, no cume, antes da bênção
“Essa brisa… como o profeta Elias, na montanha, sentiu a presença do Senhor na brisa suave. A natureza fala do Senhor, que é o Criador de todas as coisas.”O padre, antes de abençoar a cruz
“Vocês estão num local muito importante para a história do Brasil e do Mato Grosso do Sul. Quando você chega lá em cima, chega mais perto de Deus.”Gabriel Boccia, antes da subida
Passeios privados, em grupos pequenos e com guia. Entre na lista de espera e avisamos a data pelo WhatsApp.
Leve o morro com você
A camiseta oficial do Morro Cristina: sublimação total sobre malha dry fit com proteção UV, estampada de ponta a ponta. Cada peça leva as sete imagens que Dona Jaqueline pintou, o mapa da trilha e, na nuca, a frase da porteira: “sendero de mis nietos”.
Versão A · A Coroa
As sete imagens em volta do morro, unidas por um terço dourado, sob um céu que vira ouro perto do sol. Nas costas, o mapa de peregrino: da porteira ao cruzeiro, com as paradas numeradas.
Dry fit UV · corte reto unissex · PP ao XG e infantil
A subida vista ao amanhecer: a avó e os netos no caminho, cada imagem sagrada acesa entre as pedras. Nas costas, o morro no pôr do sol com as santas em arco nas nuvens e “As pedras que rezam”.
Dry fit UV · corte reto unissex · PP ao XG e infantil
Na nuca, a frase da porteira.Quem sobe, desce levando o caminho nas costas.
Pré-venda, sem pagamento agora
A primeira tiragem sai quando fechar o número mínimo de reservas. Você reserva, a gente avisa pelo WhatsApp com o preço final e a forma de pagamento antes de produzir. Parte da renda volta para a trilha e para a família que a abriu.
Em breve na mesma loja: miniaturas das pedras pintadas, o livro Belavistense e o café da fazenda depois da descida.
O que vem por aí
Em etapas, cada uma inteira e útil por si só. Enquanto isso, a trilha recebe só grupos agendados.
1
Subidas agendadas
Grupos pequenos, com guia, em datas marcadas, enquanto a trilha é preparada. É a fase de agora: a lista de espera é a porta de entrada.
2
Trilha segura e contada
Portal de entrada com mapa, tempo de subida e regras
Placa em cada pedra pintada contando a história
Corrimão nos trechos de rocha e guarda-corpo no mirante
Recepção e café na sede da fazenda, a 2 km do morro: estacionamento, banheiro, cozinha e loja já prontos
Ponto de apoio na base da trilha: sombra, água, primeiros socorros
Seguro para o visitante e guias treinados
3
O Cristo Redentor no cume
O sonho de Dona Jaqueline: um Cristo de 3 a 4 metros ao lado do cruzeiro, visível da cidade e da estrada, sobre base ancorada na rocha, com para-raios. O ponto final da romaria e o cartão-postal de Bela Vista.
4
Roteiro de fronteira
Ligação com o rio Apa, com o sítio do antigo fortim e com o livro Belavistense: uma rota da Retirada da Laguna contada de onde ela passou.
A operação é privada: uma agência de turismo belavistense cuida da trilha, do seguro e dos visitantes, em acordo com a família proprietária. As pinturas e o cruzeiro continuam sendo de Dona Jaqueline, com o nome dela em cada ponto.